Ex-ministro Levy aponta que a IA dará um salto importante em 2 anos. Para empresas brasileiras, isso significa preparar governança, dados e segurança cibernética para não ficarem para trás.
Introdução: o relógio da inteligência artificial não para
Em um painel na Rio Innovation Week, o ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fez uma afirmação que ecoa nos conselhos de administração: “Estamos a apenas 2 anos de distância de um salto muito importante no avanço da IA”. Para líderes empresariais, essa previsão não é apenas uma projeção tecnológica; é um alerta estratégico. O ritmo acelerado da inteligência artificial (IA) já está redesenhando cadeias de valor, modelos de negócio e estruturas de risco. A janela de preparação é curta, e as decisões tomadas agora determinarão quem liderará a próxima década.
O que aconteceu: a declaração de Levy e o contexto global
Durante o evento promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Levy destacou que o avanço da IA ocorre em meio a incertezas do mercado global – desde tensões geopolíticas até flutuações cambiais e pressões inflacionárias. Ele enfatizou que o Brasil precisa se posicionar para aproveitar as oportunidades, mas também para mitigar riscos. A fala não trouxe detalhes técnicos, mas sinalizou que o próximo biênio será decisivo para a consolidação de tecnologias como IA generativa, aprendizado de máquina e automação cognitiva em escala comercial.
Essa visão está alinhada com relatórios de consultorias como Gartner e McKinsey, que projetam que até 2028 a maioria das empresas terá integrado IA em seus processos centrais. A diferença é que Levy, por sua experiência em finanças públicas e privadas, conecta o avanço tecnológico à estabilidade econômica e à capacidade de investimento – fatores críticos para países emergentes como o Brasil.
Por que isso importa para as empresas
Para o empresariado brasileiro, o prazo de dois anos tem implicações práticas imediatas. Primeiro, a competitividade: empresas que adotarem IA para otimizar operações, personalizar atendimento e prever demandas ganharão vantagem sobre concorrentes mais lentos. Segundo, a eficiência operacional: a IA pode reduzir custos em áreas como logística, manufatura e back-office, liberando recursos para inovação. Terceiro, a experiência do cliente: assistentes virtuais e recomendações personalizadas já são diferenciais em setores como varejo e serviços financeiros.
No entanto, a adoção não é trivial. Exige infraestrutura de dados robusta, talentos qualificados e uma cultura organizacional aberta à mudança. Empresas que negligenciarem esses pilares podem ver a IA ampliar desigualdades, em vez de gerar crescimento inclusivo.
Impacto para cibersegurança, governança, IA e continuidade de negócios
O salto da IA traz consigo uma nova superfície de ameaças. Sistemas baseados em IA podem ser alvo de ataques adversariais, envenenamento de dados e deepfakes sofisticados. A cibersegurança precisa evoluir de uma postura reativa para proativa, incorporando IA defensiva para detectar anomalias em tempo real.
Na governança, a IA impõe desafios éticos e regulatórios. O Brasil avança com o PL 2.338/2023, que estabelece o marco legal da IA, mas as empresas não devem esperar a lei para adotar princípios de transparência, explicação e responsabilização. A falta de governança pode levar a vieses algorítmicos, decisões injustas e danos reputacionais.
Em termos de continuidade de negócios, a dependência crescente de sistemas de IA exige planos de contingência robustos. Uma falha em um modelo crítico pode paralisar operações. Portanto, a resiliência deve ser desenhada desde o início, com redundância e monitoramento contínuo.
Leitura executiva da WSVP
A declaração de Levy reforça uma tese que defendemos na WSVP: a IA não é mais uma opção, mas uma questão de sobrevivência competitiva. O prazo de dois anos é realista, mas não deve ser visto como uma corrida desesperada. É um chamado para uma estratégia deliberada, com foco em casos de uso de alto impacto, parcerias tecnológicas e desenvolvimento de talentos.
No cenário brasileiro, há desafios específicos: infraestrutura digital desigual, escassez de especialistas e um ambiente regulatório em formação. No entanto, também há oportunidades únicas, como a base industrial diversificada e o mercado consumidor digital em expansão. As empresas que conseguirem traduzir a IA em valor tangível – redução de custos, aumento de receita ou mitigação de riscos – estarão à frente.
Recomendamos que os conselhos de administração coloquem a IA na pauta estratégica, com métricas claras de retorno e um comitê dedicado à sua governança. A alta liderança deve patrocinar iniciativas-piloto, mas também escalar rapidamente as que funcionarem, evitando o “pilotite” que trava a inovação.
Recomendações práticas para os próximos 24 meses
- Avalie sua maturidade em dados: realize um diagnóstico da qualidade, integração e segurança dos dados. Sem dados confiáveis, a IA não entrega resultados.
- Defina casos de uso prioritários: escolha 2 ou 3 processos com maior potencial de retorno, como atendimento ao cliente, previsão de demanda ou detecção de fraudes.
- Invista em talentos e capacitação: contrate especialistas em IA e promova treinamentos para equipes existentes. Considere parcerias com universidades e startups.
- Estabeleça um framework de governança de IA: crie políticas para uso ético, transparência e auditoria de algoritmos. Nomeie um responsável pela conformidade.
- Fortaleça a cibersegurança: implemente medidas de segurança específicas para sistemas de IA, como testes de robustez e monitoramento contínuo de ataques adversariais.
- Monitore o ambiente regulatório: acompanhe o PL 2.338/2023 e outras normas, mas não espere a lei para agir com responsabilidade.
- Crie um plano de continuidade: mapeie dependências críticas de IA e desenvolva planos de contingência para falhas ou interrupções.
Fontes consultadas
- O Estado de S. Paulo – ‘Estamos a apenas 2 anos de distância de um salto muito importante no avanço da IA’, diz Levy
- Gartner – Gartner Predicts 80% of Enterprises Will Have Used Generative AI APIs or Deployed Generative AI-Enabled Applications by 2026
- McKinsey – The state of AI in 2023: Generative AI’s breakout year
- Câmara dos Deputados – PL 2.338/2023
Este rascunho foi produzido com apoio de inteligência artificial e ainda requer revisão humana antes da publicação.


