Pesquisa da EY-Parthenon revela que o número de CEOs brasileiros planejando investir em IA para a força de trabalho quase dobrou. Entenda os impactos para governança, cibersegurança e estratégia empresarial, e veja recomendações práticas para lideranças.
O novo imperativo estratégico: IA na força de trabalho
Em um cenário econômico global marcado por incertezas e transformações aceleradas, a inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma prioridade concreta nos conselhos de administração. A mais recente pesquisa da EY-Parthenon, divulgada em agosto de 2026, revela um dado contundente: o número de CEOs no Brasil que planejam aumentar investimentos em IA para a força de trabalho quase dobrou em relação ao ano anterior. Esse movimento não é isolado; reflete uma tendência global, mas ganha contornos específicos no contexto brasileiro, onde a produtividade estagnada e a competitividade pressionam as empresas a buscarem diferenciais.
Para a liderança executiva, essa mudança sinaliza uma compreensão mais madura de que a IA não é apenas uma ferramenta de automação de tarefas repetitivas, mas um vetor de transformação profunda na forma como o trabalho é organizado, executado e gerenciado. A pesquisa destaca que o foco agora está na automatização de tarefas complexas, o que exige não apenas tecnologia, mas uma reestruturação de processos, capacitação de equipes e, sobretudo, uma governança robusta para mitigar riscos.
O que aconteceu: a virada dos CEOs brasileiros
De acordo com o levantamento da EY-Parthenon, a proporção de CEOs brasileiros que pretendem aumentar os investimentos em IA para a força de trabalho saltou de aproximadamente 30% para perto de 60% em um ano. Esse crescimento expressivo coloca o Brasil em linha com economias avançadas, onde a IA já é vista como peça-chave para a competitividade. A pesquisa também aponta que, entre as prioridades de investimento, a IA aparece ao lado de outras frentes como transformação digital e sustentabilidade, mas com um diferencial: é a que mais cresce em intenção de alocação de recursos.
Os setores que mais puxam essa tendência são serviços financeiros, tecnologia e varejo, mas a indústria também demonstra forte interesse, especialmente em áreas como manutenção preditiva e otimização de cadeias de suprimento. O que chama a atenção é a mudança de mentalidade: antes, a IA era vista como uma ameaça aos empregos; agora, é percebida como uma aliada para aumentar a capacidade de análise e decisão dos colaboradores, liberando tempo para atividades de maior valor agregado.
Por que isso importa para as empresas
A decisão de investir em IA para a força de trabalho não é trivial. Ela envolve não apenas a aquisição de tecnologia, mas uma revisão completa do modelo operacional. As empresas que lideram essa transição estão descobrindo que a IA pode gerar ganhos significativos de produtividade, mas também que a implementação mal planejada pode criar riscos operacionais, legais e reputacionais.
Um dos principais impactos é na gestão de talentos. Com a automação de tarefas complexas, as habilidades exigidas dos funcionários mudam radicalmente. A demanda por profissionais capazes de interpretar dados, treinar modelos e supervisionar sistemas de IA cresce, enquanto funções repetitivas tendem a ser gradualmente substituídas. Isso exige das empresas um plano de requalificação (upskilling) e realocação (reskilling) para evitar rupturas sociais e operacionais.
Além disso, a IA na força de trabalho levanta questões éticas e de governança. Decisões automatizadas que afetam funcionários — como avaliação de desempenho, promoções e até demissões — precisam ser transparentes e auditáveis. A falta de critérios claros pode levar a vieses algorítmicos, discriminação e violações trabalhistas, expondo a empresa a litígios e danos à marca empregadora.
Impacto para cibersegurança, governança, IA e continuidade
O aumento do investimento em IA traz consigo uma expansão da superfície de ataque cibernético. Sistemas de IA, especialmente aqueles que processam dados sensíveis de funcionários, tornam-se alvos atraentes para criminosos. Ataques adversariais, envenenamento de dados e roubo de modelos são ameaças reais que exigem uma postura de segurança proativa.
Na esfera da governança, a implementação de IA na força de trabalho demanda a criação de comitês de ética em IA, políticas claras de uso e a designação de responsáveis pela supervisão dos algoritmos. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) impõe requisitos rigorosos para o tratamento de dados pessoais, e a IA, por sua natureza, depende de grandes volumes de dados, o que aumenta o risco de não conformidade.
Em termos de continuidade de negócios, a dependência crescente de sistemas de IA cria novos pontos de falha. Uma interrupção no fornecimento de energia, uma falha de infraestrutura ou um ataque cibernético podem paralisar operações críticas. As empresas precisam desenvolver planos de contingência específicos para cenários de indisponibilidade de IA, incluindo a capacidade de operar manualmente quando necessário.
Por fim, a própria estratégia de IA deve ser revista à luz dos riscos. A automação de tarefas complexas, como análise de crédito ou diagnóstico médico, exige níveis mais altos de confiabilidade e explicabilidade. As empresas precisam investir em técnicas de IA explicável (XAI) e em mecanismos de validação contínua para garantir que os modelos permaneçam precisos e justos ao longo do tempo.
Leitura executiva da WSVP
A pesquisa da EY-Parthenon confirma o que a WSVP vem observando em suas consultorias: a IA está se consolidando como um pilar da estratégia de negócios no Brasil. No entanto, o entusiasmo dos CEOs precisa ser equilibrado com uma abordagem disciplinada de gestão de riscos. A pressão por resultados de curto prazo pode levar a implementações apressadas, negligenciando aspectos críticos como segurança, ética e conformidade.
Nossa leitura é que o aumento do investimento em IA para a força de trabalho é uma oportunidade ímpar para as empresas brasileiras elevarem sua produtividade e competitividade global. Mas essa oportunidade vem com um preço: a necessidade de uma governança de IA madura, que envolva não apenas a área de tecnologia, mas também recursos humanos, jurídico, compliance e a alta administração.
Recomendamos que os conselhos de administração tratem a IA como um tema estratégico de alto nível, com métricas claras de retorno sobre o investimento (ROI) e indicadores de risco. A criação de um comitê de IA, com participação de membros independentes, pode ajudar a garantir que as decisões sejam tomadas com visão de longo prazo e alinhadas aos valores da empresa.
Recomendações práticas para lideranças
- Estabeleça um comitê de governança de IA com representantes de áreas-chave (TI, RH, jurídico, compliance) e reporte direto ao conselho.
- Realize uma avaliação de impacto de IA antes de qualquer implementação, identificando riscos éticos, legais e operacionais.
- Invista em capacitação não apenas dos times técnicos, mas também dos gestores e usuários finais, para garantir o uso adequado e a supervisão humana.
- Implemente controles de segurança específicos para sistemas de IA, incluindo proteção de dados de treinamento, monitoramento de integridade do modelo e planos de resposta a incidentes.
- Defina métricas de desempenho e transparência para os sistemas de IA, com auditorias regulares para detectar vieses e erros.
- Desenvolva um plano de continuidade de negócios que considere a dependência de IA, com procedimentos manuais de contingência.
- Alinhe a estratégia de IA com os objetivos de negócio, evitando projetos isolados sem conexão com a criação de valor.
- Comunique-se de forma transparente com os colaboradores sobre o papel da IA, mitigando medos e construindo confiança.
Fontes consultadas
- O Estado de S. Paulo - Por que quase dobrou número de CEOs no Brasil planejando investir mais em IA para força de trabalho
- EY-Parthenon
Este rascunho foi produzido com apoio de inteligência artificial e ainda requer revisão humana antes da publicação.


